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Tudo o que eu mais desejei

Chapter 3: Escuridão

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A ilha com o passar do tempo foi se tornando, de certa forma, mais automotizada, pessoas novas chegavam e outras iam embora, mas mesmo que o tempo em volta passasse parecia que Cellbit estava parado no tempo, estagnado no momento em que sua viada começou a ruir, a perder a luz, momento em que ele perdeu a esperança de, um dia, se recordar da sua vida, sua antiga vida, a qual ele esperava que fosse melhor do que a atual, mas tambem existia um certo receio, e se a vida dele fosse melhor? Será que isso iria apenas agravar aquela escuridão que com o passar do tempo o vem consumindo cada vez mais? E após isso ele retornava ao inicio do ciclo onde ele pensava em desistir de encontrar uma saida para tudo isso.

Era a primeira vez em meses que Cellbit saia de seu escritorio por espontânea vontade, ao contrario de como ele achou que estaria la fora, um dia ensolarado, com vento fraco mas fresco, flores e grama balançando e trazendo o cheiro da natureza viva em sua direção, na verdade o dia estava apagado, não estava sol mas tambem não estava ecuro, não ventava, parecia que o tempo se adequou ao seu humor atual, apenas estava lá, nada se movia, nada parecia ter mudado durante o tempo que passou embaixo da terra, mas após algum tempo parado ele sentiu uma brisa, uma leve e suave brisa que chegou balançando minimamente seus cabelos que estavam quase nos ombros, ele sentiu um caláfrio passar por sua espinha como se tivesse alguem percorrendo as mãos entre suas omaplas, o que ate então era de certo, algo impossivel, já que não havia ninguém além dele por ali, ao menos era o que ele imaginava.

Não tão ao longe de onde ele estava era possivel ver a silhueta de alguém, ele não conseguia ver com clareza quem era, nem ao menos se importou o suficiente para tal coisa, já que todos mantinham uma distância com ele, isso o fez lembrar de Gregor Samsa, será que era assim que ele se sentia quando sua familia escolhia o ignorar e o deixar trancado no quarto e apenas deixando que sua irmã "cuidasse" do necessário, talvez Pac fosse isso para ele, dentre todos na ilha, Pac era um dos poucos que iria quase diariamente verificar como ele estava e tentava ao máximo fazer com que ele saisse de sua bolha de escuridão, como o amigo gostava de chamar, mas isso já havia se tornado algo normal para ele, isso acabou se tornando confortável, ele não precisava se preocupar com olhares de julgamento, com pessoas se afastando dele como se ele tivesse alguma doença, ele preferia se encolher em sua própria bolha de aversão à ter que ver tais coisas acontecendo, com isso em sua mente ele voltou a encarar a silhueta que mesmo que já não estava no mesmo lugar mas que ainda era possivel sentir a presença de mais alguém com ele naquele momento, o que lhe causou estranhamento foi que ele não sentiu um incomodo e sim acolhimento diante daquilo, mas o fez questionar quem era a tal pessoa que não estava causando o sentimento tão habitual nele, como é possivél se sentir acolhido se nem ao menos consegue enxergar quem é que está lá?

Com aquelas dúvidas em sua mente ele encarava o céu que aos poucos ia escurecendo, parece que ele escolheu um bom dia para sair de sua casa, não via ninguém em torno da vila onde estava ficando já que seu castelo estava sendo arrumado após um pequeno surto de seu filho Richarlyson, tudo que ele gostaria de fazer neste momento era poder se trancar em seu quarto e se manter lá até que seu momento chegasse e assim poderia finalmente ficar em paz, ao menos é o que gostava de imaginar, mas dependendo de como sua vida foi ele possuia dúvidas que mesmo em sua morte lhe pudesse de haver algum tipo de paz, as vezes ele gostava de pensar em coisas que lhe pareciam impossiveis, como por exemplo, voltar a ver sentido na vida, ou quem sabe, encontrar alguém com quem dividir seus dias, um moribundo poderia sonhar e em momentos que ele não via uma saída ele gostava de pensar em tais coisas bobas e sem sentido, isso lhe trazia algum tipo de paz, se lhe perguntassem com quem ele se via junto nesses sonhos com toda certeza ele não diria que era o moreno 20 centimetros menos que ele, que possuia olhos grandes, mas de um jeito estranho, mas sim de um jeito fofo e belo que parecia ser único, que possuia cabelos um pouco mais escuros que o tom de seus olhos e que vivia pulando e rindo por ai, até porque, em que universo faria sentido que Roier quisesse algo com alguém tão apatico e apagado quanto Cellbit, Roier era como um dia de primavera e verão ao mesmo tempo, ele era calor e leve, ele possuia uma aura que parecia ser unica e que se destacava entre os outros, por isso ele tentava ao máximo se manter distante de sua paixão, ele poderia aguentar olhar de julgamento de todos, mas não dele, em meio a esses pensamentos ele pode sentir, mesmo que de leve, o perfume de Roier, ele só poderia estar enlouquecendo, era isso ele finalmente enlouqueceu e esta começando a delirar, já não tinha mais salvação para ele.